Penúltimo Dia em Londres (20110115): 84 Charing Cross Road

Ontem, ao voltar de um passeio e um jantar de despedida a Londres que envolveu Piccadily Square e Oxford Circus, resolvemos voltar a pé para o hotel pela Charing Cross Road (que está em reforma na parte em que cruza a Oxford Street, que ali passa a se chamar New Oxford Street). Eram mais ou menos 20h. A razão para o desejo de voltar pela Charing Cross Road, que envolveu uma volta bem maior no trajeto, foi verificar se havia, na rua, o número 84. E a razão para esse desejo foi o filme que tem, no original, o título de 84 Charing Cross Road.

É um filme magnífico, de 1987 (obrigado, Ximenes, pela correção), com Anne Bancroft (que, infelizmente, morreu em 2005 com 73 anos) e Anthony Hopkins (que, felizmente, continua firme) – dois dos principais monstros sagrados na minha lista desses monstros… Vide a ficha técnica do filme em http://www.imdb.com/title/tt0090570/.

A terrivelmente inadequada descrição do filme colocada no site diz o seguinte:

“História real de uma correspondência comercial transatlântica sobre livros usados que se tornou uma estreita amizade”.

Alguém iria se preocupar em ver um filme sobre correspondencia comercial acerca de livros usados, mesmo que essa correspondência houvesse se desenvolvimento em uma estreita amizade?

O sumário do enredo no site IMBD, escrito por um leitor do site IMDB, também não revela adequadamente a natureza do filme. Diz o seguinte:

“Quando uma leitora de enredos, que mora em um apartamento em Nova York, lê, no  Saturday Review of Literature, um anúnicio de uma livraria em Londres que vende livros pelo correio, ela começa uma correspondência muito especial com Frank Doel, funcionário da livria de livros usados Marks & Co., que opera em 84 Charing Cross Road, Londres”.

Um filme com esse enredo geraria interesse?

O filme trata, na realidade, de um delicado romance epistolar. Quem escreveu a descrição e o sumário do enredo não percebeu a sutileza das entrelinhas e dos entreditos, o significado daquilo que fica apenas implícito no texto das cartas e no diálogo dos personagens, o sentido profundo de olhares sem foco que se perdem voltados para nenhum lugar, depois de ler uma carta, o “texto” que se escreve numa expressão facial sutil de um grande ator…

Uma resenhadora anônima do filme captou (também no site IMDB) a sua mensagem perfeitamente:

“Helene e Frank de fato nunca disseram um ao outro que se amavam – eles nem mesmo se encontraram, que diabos! Mas eles se amavam daquela forma não expressa necessariamente em palavras que as pessoas de hoje não compreendem. O filme não baixa ao nível da convenção, não apela para o romance pegajoso. Helene e Frank fazem bem um para o outro, enriquecem a vida um do outro. Isso não é amor? Hopkins tem um momento inesquecível no filme, quando lê a carta em que Helene lhe comunica que terá de cancelar, por problemas de saúde, a viagem que havia planejado fazer a Londres.  A expressão de sua face diz tantas coisas, tudo de uma vez só, que é realmente lindo constatar que um ator pode expressar tanto sem dizer nada. Fico comovida toda vez que vejo a cena – e vou ficar, não importa quantas vezes a veja. Sou extremamente grata por esse filme ter sido feito com tanta sensibilidade”.

É isso.

Fala-se muito, hoje, em romances que se desenvolveram através de contatos pela Internet. Conheço os personagens de alguns desses romances que podem ser descritos como “transatlânticos”. Mas isso, hoje, não importa tanto, porque a Internet e os vôos internacionais relativamente baratos reduziram as distâncias entre os continentes… Assim, o romance epistolar pela Internet logo se transforma em um romance relativamente normal – ou termina. 

Mas, antes da Internet, e antes de as passagens aéreas internacionais se tornaram acessíveis a boa parte das pessoas, havia o romance epistolar, o amor que se alimentava, durante longo tempo, meramente de palavras escritas a mão em cartas cuidadosamente redigidas em blocos de papel de carta (que desapareceram de nossas papelarias por total desuso em tempos de e-mail). Esse amor, a maior parte das vezes, não se transformava logo em contato face-a-face, porque a distância e a falta de dinheiro o impediam. O romance epistolar de Helene e Frank, que o filme descreve, durou quarenta anos. A história é baseada em fatos reais.

84 Charing Cross Road é um filme desse tipo. Extremamente delicado – que mais se pode esperar de Anne Bancroft e Anthony Hopkins?

Em Português o título foi, se não me engano, Nunca Te Vi, Sempre Te Amei. Em Portugal o título foi A Carta do Adeus. Em países de fala espanhola o filme se chamou La Carta Final. Desses, o título em Português é o que mais se aproxima do conteúdo do filme. O título em Inglês é virtualmente inteligível para quem não sabe que a região de Londres em que está o endereço que dá título ao filme é cheia de livrarias, muitas delas de livros usados… 

84 Charing Cross Road me faz lembrar um outro filme de amor intenso, mas delicado, e que também não se materializa (embora, no caso, não por dificuldade de proximidade física): Remnants of the Day (Vestígios do Dia), também com Anthony Hopkins, mas neste caso com Emma Thompson.

Traduzo o texto de mais uma resenha e transcrevo várias outras no original em Inglês:

“Não mudaria uma coisa sequer nessa produção. Cada membro do elenco faz o que deve fazer, a história é emocionante e verdadeira, os personagens ganham vida e você fica envolvido em suas vidas. Quando você se cansar de ver corridas de carros pelas ruas, com acidentes e explosões, ou de ouvir linguagem que você não tem coragem de repetir para sua mãe, ou relacionamentos humanos distorcidos e cheios de clichés, ou humor baseado em funções corporais que normalmente seriam consideradas privadas, dê um presente a si mesmo e assista a esse filme”.

Eis algumas das inúmeras resenhas deixadas pelos leitores no site IMDB.

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36 out of 36 people found the following review useful:

Simply the best., 12 April 2004

84 Charing Cross Road is one of my favorite movies. Based on the memoirs of Helene Hanff (the book contains the letters from which they read throughout the film), this is the story of a single New York woman named Helene Hanff (Anne Bancroft) who builds a forty-year friendship with some people who work in a bookstore in England. The movie begins during WWII as Helene, a writer, is searching for out-of-print books and, frustrated at the poor selection in the city’s bookstores, starts writing letters to the Marx brother’s bookstore in England. Through her letters, she not only becomes a frequent customer, but eventually, becomes quite close with all of the bookstore’s employees. And through their letters, they share experiences over the years, which the viewer witnesses through a juxtasposition of two different cultures: American and British.

I like the technique used in this film. The interaction between Helene and her British friends occurs only through letters, so rather than have the characters write a letter and then dub what is written, eventually, the characters just face the camera and say what they would have written, with the camera cutting back and forth for each others response at times as though we suddenly become the recipient of their conversations.

The film also has a wonderful cast with Anne Bancroft as Helene, Anthony Hopkins as the generous Frank P. Doel, Judi Dench as his wife, and Mercedes Ruehl as Helene’s neighbor. It is a wonderful story.

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34 out of 35 people found the following review useful:

My favourite film, 17 August 2004

Whenever anyone asks me, which isn’t often, I tell them this is it. And they invariably have never heard of it, which is a terrible shame.

I love the film, and advise those who love it as well that they SHOULD read the book too… and also read The Duchess of Bloomsbury Street, and find out what happened when Helene went to England after all those years.

And don’t stop there… look up the Oxford Book of English Prose and the Oxford Book of English Verse (http://www.bartleby.com/101/), edited by the venerable Q (Sir Arthur Quiller-Couch), and see what inspired Helene to begin the correspondence in the first place (basically she decided to read everything Q mentioned, “unless it’s fiction.”)

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29 out of 30 people found the following review useful:

A poignant and well-crafted story of long-distance friendship., 2 December 2003

This movie is an example of how the cinematic medium can powerfully explore a mundane activity as letter writing. The movement of the characters through their activities and concerns over different times of life and across 2 physically separated cultures is smooth, subtle and engaging. The movie does not contain the bombast that many others seem to be more pre-occupied with. Rather the viewer is taken into the quiet enjoyment of human conversation and communication. And just like a good conversation, one is left with both satisfaction and longing.

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16 out of 16 people found the following review useful:

A remarkably fine film for those who enjoy a great personal story. Here, we get two!, 24 June 2004

’84 Charing Cross’, from the address of the used book store in London, takes place over roughly 20 years from 1949 to 1969. Watching it today, I became totally immersed in the story, and I found out why later, because it is based on the real story of Helene and Frank. I always like movies based on real people, and closely identify with the idea of a seemingly random event triggering a new and perhaps lasting friendship. Helene (Anne Bancroft), a New York Jew and struggling writer, loves English literature but cannot find suitable and reasonably-priced books that she wants in NYC. She finds a simple ad in a publication, writes to the bookstore in London, they send her two of the three books she seeks, for a total of $5.30, and the story begins in earnest from that point. Bancroft (Helene) and Hopkins (Frank) are magnificent here, in this wonderful little movie of two people, quite different, living worlds apart, but who become lifelong friends. One of my new favorites!!

The rest of my comments contain SPOILERS for my recollection, please stop reading if you have not seen the movie.

The correspondence between Frank and Helene, who became a somewhat successful TV writer, carried on for 20 years from 1949 to 1969, and was published in 1970, which eventually led to this movie. During that time he sent her photos of his family, she sent ‘care packages’ of food to them in post-war rationing times, she requested certain books, he found and sent them. One planned trip to London had to be cancelled because of $2500 of emergency dental work for Helene. Then, in 1969 she gets a letter that Frank had died after an attack of appedicitis, and later that the bookstore would be closed. When she finally was able to make her trip, we see her walk into a now vacant space, but she smiles as she recalls 20 years of correspondence with Frank and the other workers there.

The movie actually begins at the end, as she is on a plane, and awakes to sunlight through her window as she approaches London. Then, as she enters the vacant store, the movie flashes back to 1969. When the movie ends, we see her in the store, the completion of that earlier scene. No extras on the DVD, but it has a good picture and sound.

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16 out of 17 people found the following review useful:

A Different View of Singlehood, 9 June 2005

I saw this movie in 1987, read the book, and just rented it again in memory of Anne Bancroft. It remains for me a gem-an amazingly done story. What is really amazing however-and a sad comment on where people’s attentions are focused-is that in 1987 there were two movies that dealt with married men and single women. This was one of them; the other was “Fatal Attraction.” What a difference! People flocked to see the latter film in which (spoilers for “F.A.” here) a single urban career woman has a brief affair with a married man, tries to kill herself, tries to kill everyone else, fricassees a pet rabbit, etc. Now in “84 Charing Cross Road,” the heroine’s finances prevent her from crossing the ocean to actually meet the married man of her daydreams- but even if she had been able to visit England and meet him,I doubt she would have baked his children’s pets or kidnapped his children. This was not,thankfully,that kind of film. This was a true story of a single career woman whose life was happy in spite of her being single. She had friends, her writing, the books she was buying and reading. We see at one point a photograph on her bureau of a man in uniform-was this a former boyfriend,a fiancé,who was killed in the war? Possibly-but the woman does not live in grief nor does she go melodramatically crazy. It’s too bad that America chose to make the derivative trash that is “F.A.” popular while not honoring “84 Charing Cross Road” for its depiction of a brainy adult relationship.

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16 out of 17 people found the following review useful:

Impeccable Acting & Dialogue, 17 October 2003

A fantastic piece of work. This movie is for those who are interested in dialogue and masterful acting. The acting is impeccable and the dialogue is magnificent and very touching. Surely Anthony Hopkins deserved an AA and so did Anne Bancfroft.

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17 out of 19 people found the following review useful:

Next time, I’m in London!, 4 June 2002

84 Charing Cross Road is a wonderful enchanting film about the differences and similarities between the Brits and the New Yorkers over the years. Helene Hanff really was a special writer. She gave an identity to 84 Charing Cross Road to last a lifetime. Her letter writing relationship between a bookstore and herself is one of legendary stories to become part of London and New York. Sadly, she died 5 years ago. I am sure that 84 Charing Cross Road will always remember the writer, Helene Hanff, who inspired such a legacy. Anyway the film has a wonderful cast like Anne Bancroft who is ageless in the role. Sir Anthony Hopkins as the bookseller. Dame Judi Dench as his wife and Maurice Denham in a supporting role. Also, I have been to London three more times since I wrote this review and sadly this time, I made the effort to visit 84 Charing Cross Road, sorry folks, it’s a Pizza Hut and I had dinner there tonight anyway. THere is no plaque. I still think Anne Bancroft was superb now that she’s gone. So has Maurice Denham since I last wrote this review. God Bless them wherever they are.

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15 out of 17 people found the following review useful:

A very pleasant , very intimate film, 27 June 2005

I recently saw this film for the first time, as a chance to see an Anne Bancroft film I had not seen before. Bancroft and Hopkins are both excellent in this. And, more than almost any other film, they have to be excellent; their performances are the only thing this little film hangs on.

Everything about this film violates almost every “screenwriting 101” type rule. The two main characters communicate primarily through letters. Characters address the audience directly. There is no real conflict. Change occurs only with the natural passage of time in the characters’ lives. No heroes, no villains. No romance, no violence, no adventures- just two people (one a writer, the other a rare-book dealer) living their lives and caring about how the other leads theirs.

And yet, the film works. Over the span of the 20+ years portrayed in the film, the audience gets to know and like both of the main characters, and their compatriots as well. And just getting to know them and their unique friendship makes it all worthwhile.

Also, the portrayal of the privations of the post-war U.K. of rations and food shortages is done very well. Michael Palin, amongst others, have addressed the tragicomic aspects of postwar rationing in the U.K., but in this film, it is poignant how even a poor American managed to make the entire bookstore’s Christmases worthwhile with a well-timed shipment of Danish food.

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ET: Tanto quanto pude aferir, não existe o número 84 na Charing Cross Road… Smiley triste

Em Londres, 16 de Janeiro de 2011.

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Sexto Dia em Londres (20110113): 1:1 Computing & Mamma Mia!

Hoje saí do hotel por volta das 13h, para ir até a French Chamber of Commerce, onde meu amigo Bruce Dixson daria (como de fato deu) uma micro-workshop sobre 1:1 Computing para potencials clientes de Education Impact. Muito boa a palestra dele. Entre os participantes, pessoas de Malta, Portugal, Chile, Líbano, Rússia… Mais gente do que eu esperava.

A Paloma foi almoçar com o pessoal da Microsoft e seus convidados ilustres, inclusive o ex-ministro Paulo Renato Souza.

Ao voltar, por volta das 17h, a Paloma me informou que havia combinado com a delegação brasileira que iríamos ao teatro, à noite. Fomos ao Prince of Wales Theater assistir ao musical Mamma Mia!, peça baseada nas músicas do grupo ABBA, que é sucesso em Londres desde 1999 (tendo se transformado em filme com Meryl Streep em 2008).

A peça é magnífica. O teatro é meio velho, mas o grupo de atores / cantores fabulosos. Valeu a pena ir. Estava cansado e com preguiça, mas valeu a pena.

Foram conosco a Adriana Pettengill e o pessoal de Taboão da Serra. O Emílio Munaro resolveu assistir a outra peça.

Em Londres, 13 de Janeiro de 2011.

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Quinto Dia em Londres (20110112): PIL Advisory Board & Education Leaders Forum

Passei o dia 12/1 inteiramente em reunião, das 8h da manhã até as 23h.

Das 8h às 16h30, participei da reunião do International Advisory Board do Programa Partners in Learning (PIL) da Microsoft. O Advisory Board recebeu quatro novos membros (destacados com um asterisco), passando a ter 14 membros, que são os seguintes:

PIL IAB – 2011    
Name Country Position
Alain Chaptal * France Professor, University of Paris 8
Alexei Semenov * Russia Rector, Moscow Institute of Open Education
Bee Yann LEE Singapore Principal, St Andrew’s Junior College in Singapore
Clayton Carnes Australia Principal, Hermit Park Primary School
Deirdre Butler Ireland Senior Lecturer in the Education Department of St. Patrick’s College – Dublin City University 
Eduardo Chaves Brazil Professor, Salesian University, São Paulo, SP Brazil 
Eric Yankah Ghana Management and Devlopment Consultant
Franz Kühmayer * Austria Director, Reflections, Research & Consulting
Haif Bannayan Jordan CEO, Jordan Education Initiative
Ivan Kalaš Slovakia Professor and Head of the Department of Informatics in Education, Comenius University, Bratislava
Larry Rosenstock * USA Director, High Tech High
Leslie Conery USA Deputy CEO and Conference Chair, ISTE
Michael Furdyk Canada Co-founder and Director of Technology, TakingITGlobal.org
Sarietjie Musgrave South Africa Chief of the Programme for Innovation in ICT for Schools, Free State University

Michael Furdyk e eu somos os dois membros mais antigos do Board, estando nele desde Março de 2003.

A reunião foi produtiva e terminou por volta das 16h30. Realizou-se numa sala de reuniões no escritório da Microsoft em Londres.

De lá saímos de micro-ônibus especial para ir ao Hotel Savoy (totalmente renovado) para a reunião do Education Leaders Forum, coordenada por meu amigo Greg Butler. A reunião teve lugar das 17h às 20h, depois do que houve um cocktail e um jantar, só terminando às 23h. As palestras deixaram muito a desejar, na minha opinião.

Do Brasil participaram as seguintes autoridades: o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza, a prefeita de Cubatão, o Secretário da Educação de Cubatão, o Secretário da Educação de Taboão da Serra. Participaram também várias pessoas da área (inclusive os dois “Vidais” da Interdidática) e professores envolvidos nas Escolas Inovadoras da Microsoft (além de nossa amiga Luciana Allan). O Emílio Munaro e a Adriana Pettengill da Microsoft estavam lá, cuidando dos convidados.

No jantar, eu fui host de uma mesa de dez pessoas, em nome da Education Impact. A comida estava muito boa. O vinho, melhor ainda.

É isso.

Em Londres, 13 de Janeiro de 2011.

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Quarto Dia em Londres (20110111): New Line Learning Academy

A saída para Kent, onde fica a New Line Learning Academy, tinha tudo para ser meio tumultuada. Havia cerca de 400 pessoas querendo fazer a visita e apenas 300 lugares nos ônibus (número limitado pela capacidade de visitação da escola). Os ônibus iam sair às 8h – mas às 7h30 o saguão e a calçada do hotel já estavam superlotados. O dia não havia amanhecido ainda, havia neblina, misturada de um leve chuvisco.

Com meu amigo Ernesto Laval, do Chile, fiquei na calçada – queria pegar um dos primeiros ônibus. A sorte nos bafejou e a porta de entrada do primeiro ônibus (de 53 lugares) a parar diante do hotel ficou literalmente na nossa frente – não podia ficar mais acessível para nós. Resultado: fomos os dois primeiros a subir no primeiro ônibus, que imediatamente lotou e saiu.

Para ir para Kent, que fica a 35-40 milhas de onde estávamos, tivemos de passar por trechos enormes da cidade, onde o trânsito, de manhã, é complicado. Felizmente estávamos no contrafluxo. Mesmo assim a viagem levou cerca de 1h40 (houve um congestionamento também depois que pegamos a autoestrada).

Os edifícios da escola velha não existem mais. Em seu lugar, um magnífico edifício de três andares (para cima – deve haver espaço subterrâneo pelo menos para serviços de limpeza e aquecimento). Havia um lanche nos esperando (fomos, naturalmente, o primeiro ônibus a chegar e atacamos a comida imediatamente – eu, pelo menos, não havia comido nada ainda no dia).

Depois de chegarem os demais ônibus fizemos excursões pela escola – pares de alunos conduzindo grupos de cerca de dez visitantes.

Na concepção arquitetônica da escola, cada grupo etário (vamos chamá-lo de série) tem uma “plaza” – que é um espaço magnífico que pode acomodar um pouco mais de 200 alunos. Essa plaza é dividida em quatro ambientes. Em dois ambientes amplos, de tamanho um pouco diferenciado, podem ser acomodados, respectivamente, 130 e 90 alunos. Esses dois ambientes são totalmente abertos, mas possuem mobiliário variado  que pode ser levado daqui para ali sem maior problema. O ambiente maior possui o que a escola chama de quatro “bananas”: algo parecido com uma arquibancada de quatro ou cinco degraus, em formato de um oitavo de lua, no qual as pessoas podem se sentar. Se necessário, as  quatro bananas podem ser colocadas lado a lado, de modo a formar uma meia lua, que permite que o ambiente seja configurado quase como um auditório. Como o espaço é grande, se a meia lua ficar no fundo ainda cabem cadeiras, bancos, puffs, etc. em número razoável na frente dela.

Tecnologia está por toda a parte. A partir de um pequeno computador se controlam projetores, telas, aparelhos de televisão (cada ambiente tem pelo menos quatro, de tamanho aparentemente de 60 polegadas). Há, em cada espaço dessses, um móvel (realmente móvel) contendo nove TVs Samsung conectadas, de cerca de 50 polegadas cada, formando um enorme telão, em que cada nono da tela pode ser programado separadamente.

Os alunos, naturalmente, têm, cada um deles, um laptop.

No meio dos dois ambientes, que têm a altura correspondente a dois andares, há um ambiente dividido em dois andares. Na parte de baixo há lockers para os alunos (com fechadura digital), onde guardam seus pertences e, na hora de ir para casa, são obrigados a deixar seu laptop, guardado e carregando). Atrás dos lockers há cinco toiletes femininos e cinco masculinos, divididos por uma série de dez pias, cinco de cada lado.

Em cima do ambiente inferior fica o espaço do staff. Cada série tem uma coordenadora pedagógica, apoiada por um grupo de seis professores. Ficam ali o tempo todo junto dos seus alunos.

Fato interessante é que a equipe pedagógica é montada para atender a dois tipos de necessidade dos alunos: necessidades que a escola chama de “pastorais” e necessidades relacionadas à aprendizagem.

As necessidades chamadas de pastorais são necessidades de cunho mais afetivo e emocional. Curiosamente, a escola mantém registro do “coeficiente emocional” dos alunos, e tem uma espécie de “quadrante” para os alunos em que eles podem indicar como está, em um eixo, o seu nível de bem estar, e, em outro eixo, o seu nível de energia. Se um aluno está com nível de energia alto e nível de bem estar baixo, os outros tomam cuidado com ele… Se está com os dois níveis altos, está bem e cheio de energia, e, portanto, possívelmente, disponível para participação em grupos de trabalho e diversos tipos de atividade… Curioso.

O staff mais pastoral tem funções mais ou menos semelhantes à da família. Há um tipo mais mãezona (que não impede que seja exercido por um homem – o importante é o tipo), a quem os alunos recorrem quando estão necessitados de apoio emocional, carinho, cafuné… isto é, quando estão com necessidades do tipo “interior”. Há um tipo do gênero mais paternal, a quem recorrem para discutir projeto de vida, dúvidas sobre profissões e carreiras, coisas (digamos) do mundo exterior. E há um tipo mais do gênero irmão mais velho (tipo professor jovem de educação física ou de dança), a quem recorrem quando querem uma atividade diferente, um jogo ativo, um brinquedo animado, ou mesmo um conselho sobre um assunto que não gostariam de abordar com a “mãe” ou o “pai”.

O staff mais voltado para a aprendizagem está à disposição para apoiar os alunos em suas dificuldades de aprendizagem, esclarecer questões contidas em material de leitura ou em tarefas (assignments) atribuídos a eles, etc.

Todo o staff, porém, sob a coordenação do coordenador pedagógico da série, é responsável por encaminhar qualquer tipo de problema e por atender a qualquer tipo de necessidade de aprendizagem dos alunos, independentemente de sua função mais especializada na equipe. Embora o staff tenha uma sala no espaço superior que separa os dois ambientes em que ficam os alunos, do qual podem supervisioná-los, a maior parte do tempo seus membros estão no meio dos alunos, que se esparramam pelos dois ambientes dedicados às suas atividades. Nesses ambientes eles andam descalços (no Inverno, de meia), e se esparramam pelas bananas, pelos puffs, deitados no chão (carpete de muito boa qualidade), pelas mesas de trabalho, usando os computadores, vendo vídeos, etc. – ou conversando com o staff.

Além das plazas, há enormes salas especializadas de artes plásticas, música, dança, bem como (naturalmente) laboratórios de ciências, biblioteca, etc. Nas salas de música há pianos, guitarras, baterias, e outros instrumentos. As salas de dança são como academias profissionais: todas pintadas de preto, com enormes espelhos ao redor da sala inteira, etc. Professores especializados apóiam essas atividades dos alunos. Vi uma aula em que meninas adolescentes aprendiam a dançar rock clássico, e fiquei maravilhado com a qualidade de seu desempenho.

Há também uma enorme quadra coberta, na qual cabem quatro quadras de basquete. Vi vários grupos de alunos, meninos e meninas, aprendendo a jogar críquete.

Fora, gramados enormes, campos de futebol e quadras para os demais esportes. Não vi piscina, mas acho difícil imaginar que não haja.

Há também uma ala grande para alunos com necessidades especiais, perfeitamente equipada para alunos com diferentes tipos de deficiência.

No centro do prédio há um enorme refeitório, ao lado de uma cozinha industrial. É ali que os alunos almoçam – porque sua permanência na escola é, naturalmente, em período integral. Ao lado do refeitório há uma lojinha de café expresso.

A comida é exageradamente sadia. Os alunos não podem comer salgadinhos, doces, não podem acrescentar sal, pimenta, ketchup, mostarda e outros condimentos à comida que lhes é fornecida. Há razoável nível de escolha no que eles podem comer. Para cada item há um preço (bastante subsidiado), o que significa que os alunos pagam pelo que comem.

Vou ver se localizo o endereço do site que especifica a política alimentar do governo britânico para as escolas. É curioso.

[Acrescentado depois. Eis o site: http://www.schoolfoodtrust.org.uk/]

Enfim, é essa minha descrição da escola…

Enquanto estávamos lá, houve palestras e oficinas. Coordenei duas oficinas (a mesma oficina repetida duas vezes em horários naturalmente diferentes) sobre o tema “Ambientes de Aprendizagem”. Participaram delas uma professora da New Line Learning Academy e o diretor da Silverton Primary School de Melbourne, Australia. Se vocês imaginam que ficam encantado com oa New Line Learning Academy, vocês não viram nada: o meu encantamento com a Silverton foi muito maior. Mas, depois, falarei em mais detalhe dessa escola em meu blog principal (http://liberalspace.net).

Saímos de lá por volta das 15h30, chegando ao hotel por volta das 17h.

À noite, tive um jantar do International Advisory Board de Partners in Learning, em um restaurante magnífico (e muito caro – felizmente a Microsoft estava pagando), dentro de um mercado, parecido com o Mercado Municipal de São Paulo. Voltei depois das 22h. O restaurante se chama Roast: http://www.roast-restaurant.com.

É isso, por hoje.

Em Londres, 13 de Janeiro de 2011.

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Fotolog Lisboa – Londres

Durante esse tempo que eu não escrevi no nosso blog de viagem fui acumulando umas tantas fotos que ia tirando e reservando para os posts.

Considerando o acúmulo, farei uma seleção de fotos e, por meio de legendas ou comentários, vou contando um pouco da minha história em Lisboa (com o Edu, o tempo todo), e em Londres (sozinha, até hoje, a maior parte do tempo, porque o Edu tinha compromissos o dia inteiro, às vezes até à noite, em jantares… – mas nos próximos dias estaremos juntos de novo nas andanças).

No primeiro Fotolog estão os registros da nossa viagem com o Fernando e a Marilac para a Serra da Estrela, começando com as chamadas Portas de Ródão, na entrada de Vila Velha de Ródão, linda cidade, às margens do Tejo, já quase na Espanha, onde almoçamos. Depois passamos pela estação de esqui na Serra da Estrela, propriamente dita, e fomos terminar o dia em Seia, cidade serrana onde passamos a noite. No dia seguinte, na volta,  fizemos, em parte, outro caminho, o que nos permitiu tirar umas magníficas fotos da lagoa (Lagoa Comprida) de uma barragem que tem no alto da serra…

Em seguida há fotos de duas exposições que vimos no Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva, do Parque das Nações, em Lisboa. Uma sobre sexualidade, voltada para o público infanto-juvenil, e outra sobre uma expedição portuguesa ao Amazonas, no Brasil.

Por fim há as fotos do Palácio da Pena e do Castelo dos Mouros, em Sintra.

Já o Fotolog de Londres tem, basicamente, as fotos do tour que eu fiz com o Big Bus. Elas contêm um pouco de tudo, especialmente alguns dos principais pontos turísticos do centro da cidade.

Não sei se conseguirei colocar as legendas, já que estou usando esse recurso de álbum virtual da Live Suite… Se não der, buscarei outra forma de contar um pouco mais detalhadamente essas histórias… [Consegui colocar as legendas, em forma de comentário… Então, quando você for ver os álbuns, clique no balãozinho ao lado das fotos para exibir os comentários… Se você tiver uma conta no MSN/Live, você pode se logar e também deixar os seus comentários…]

Paloma

Em Londres, 13 de Janeiro de 2011.

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Terceiro Dia em Londres (20110110): De novo, cada um na sua…

Hoje cedo fui direto para a oficina do Michael Fullan. Como membro do International Advisory Board de Parceiros na Aprendizagem (Partners in Learning), tenho certa obrigação de acompanhar esses eventos…

O salão do Park Plaza Riverbank (18 Albert Embankment, nas margens do Tâmisa) estava superlotado. Encontrei os brasileiros (Dri Pettengill, o pessoal do NAVE, o pessoal de Taboão), encontrei a Adelaide e outros amigos portugueses, encontrei gente de Taiwan, do Japão, da Suécia, do Reino Unido, que conheço há muito tempo…

A oficina do Michael Fullan foi aquilo que eu já conhecia. Não acredito que ela valha tudo o que ele (pelo que consta) cobra por elas, mas para quem nunca ouviu, há muita novidade – e até algumas piadas mais ou menos divertidas.

Saí ao meio dia, porque tinha de retornar ao hotel em que estávamos (pago pela Education Impact) para passar para o hotel que a Microsoft havia reservado para nós e onde todo o restante do pessoal da Microsoft estava hospedado. Foi um bom upgrade. Estamos, agora, ao lado do Buckingham Palace, perto da Victoria Street, da Victoria Station, da Westminster Abbey, do Parlamento, do Big Ben, a London’s Eye. No olho do furacão. Pertinho da Zara, não longe da Harrod’s… 

Depois de nos acomodar aqui no novo hotel, tive de sair para uma reunião (tipo brainstorm) da EI na French Chamber of Commerce (a EI é, em última instância, uma empresa francesa, com sede em Paris). Ficamos lá até por volta das 16h, quando voltei para o hotel. A Paloma está passeando pelas lojas – ela e eu esperávamos que eu chegase mais tarde.

À noite provavelmente vamos jantar com o grupo de brasileiros que já está aqui. Deixo para concluir o relato depois do jantar (caso ele de fato aconteça).

Até depois. 

Escrevo na Terça-Feira de manhãzinha.

Fomos jantar ontem à noite num restaurante indiano (chamado Quilon) aqui pertinho do hotel. Terceiro jantar indiano em seguinda!!! Estavam presentes o Emílio Munaro e a Adriana Pettengill, da Microsoft, o Secretário da Educação de Taboão da Serra, José Marcos dos Santos, Roberta Bento, assessora da Secretaria da Educação de Taboão da Serra, Cláudia Souza, diretora da Escola Municipal de Ensino Básico Darcy Ribeiro de Taboão da Serra, André Couto, Coordenador do NAVE, do Instituto Oi Futuro, Rio de Janeiro, Ana Paula Bessa, Diretora da Escola parceira do NAVE, do Instituto Oi Futuro, Rio de Janeiro, a Taís, filha da Roberta, a Paloma e eu. Ao todo, dez. A comida, para variar, estava excelente e o papo, se não foi edificante, foi informativo e divertido… O vinho neozelandês estava excelente.

Agora estou pronto para sair para visitar a escola New Line Learning, em Kent. Já estivemos lá, no passado, a Paloma e eu, e volto agora. Aparentemente uma nova escola (do ponto de vista de instalações físicas) foi construída.

Em Londres, 11 de Janeiro de 2011.

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Segundo Dia em Londres (20110109): Cada um pro seu lado

Pela primeira vez nestas férias fomos obrigados a ir cada um para um lado… Eu tive reuniões na sede da Microsoft – Reino Unido o dia inteiro, e jantar depois; a Paloma, como ela própria deverá contar depois, foi a um museu de história natural, a Harrod’s, à GAP…

No meu caso, de manhã tivemos uma reunião da Education Impact. Por ser domingo, o local estar vazio, e a reunião da tarde ser com a própria Microsoft, usamos a sede da Microsoft no Reino Unido, na 100 Victoria Street.

A reunião da Education Impact (EI – vide http://www.educationimpact.net), de caráter interno, discutiu os planos e, até certo ponto, as dores de crescimento da empresa, que, por causa da crise e da concorrência, se vê obrigada a crescer mais rapidamente do que originalmente planejado. Ela começou às 9h e durou até o meio-dia.

Almoçamos (?) no intervalo… Prato na mão, com uns sanduichinhos muito dos sem-vergonhas. O pessoal da Microsoft entrou e começamos a interagir ao longo do almoço. Quando todos haviam acabado de almoçar, começou uma série de apresentações da Microsoft sobre os produtos que estão na “pipeline”. Como a maior parte da informação é confidencial, e estou debaixo de um Non-Disclosure Agreement, não revelo o que ouvimos – apesar de boa parte do relatado não ser segredo e poder ser encontrado abertamente na Internet. Essa fase da reunião, que começou por volta das 13h, terminou só às 20h – e isso porque tínhamos reserva num restaurante.

O jantar, patrocinado por EI, foi no The Mint Leaf Restaurant, cujo site pode ser encontrado em http://www.mintleafrestaurant.com/. Ficamos (todas as 55 pessoas, entre executivos da Microsoft e fellows da EI) cerca de 60 minutos no bar, antes de sermos encaminhandos para um salão privado. A comida, indiana, bem temperada, foi fantástica. A companhia, então, nem se fala.

Tive o prazer de me sentar ladeado e “frenteado” por Kati Tuurala (MS-WW), Erik Goldenberg (MS-WW) e José Canavarro (EI-PT). Conheci o Canavarro há dois anos, por intermédio de minha amiga Adelaide Franco (MS-PT). Acabamos com toda comida e bebida que apareceu na nossa frente…

Cheguei ao hotel por volta das 23h. A Paloma me fez um relato do dia, me mostrou as coisinhas (em sentido não pejorativo) que havia comprado, e disse o que estava fazendo, desde que voltou para o hotel. Conversamos um pouco e desmaiamos de cansaço. Estar de férias não é fácil… Fico, como todos vocês, no aguardo de um relato da Paloma…

Em Londres, 10 de Janeiro de 2011.

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Viagem para Londres e Primeiro Dia na Cidade (20110108)

Viemos para Londres, ontem, Sábado, dia 08/01/2011, como já dito no post anterior. O voo foi bom. O avião (Airbus 319 da TAP) tinha bastante espaço entre as filas de poltronas. Serviram um lanchinho vagabundo (bom vinho, entretanto). Passei o tempo lendo em mu Kindle (um livro sobre a história do comunismo).

Chegamos a Heathrow por volta das 12h30 (o fuso horário é o mesmo de Lisboa), passamos sem problemas pela Imigração (apesar da oficial me parecer mais curiosa do que sua posição lhe dava o direito de ser) e pela Alfândega, pegamos o Heathrow Connect que nos trouxe até a estação Paddington, lá pegamos um taxi e chegamos ao hotel por volta das 14h-14h30.

Depois de nos acomodar no quarto, saímos dar uma volta pelas redondezas, curtir o dia bonito e seco (embora frio), comer alguma coisa (sopa, numa Patisserie quase em frente ao hotel). O hotel fica do lado da estação Gloucester Road do metrô (aqui chamado de underground ou simplesmente “The Tube”).

À noite, tive o jantar de abertura da reunião do Education Impact – onde encontrei grandes amigos, em especial o José Canavarro, da Universidade de Coimbra, e o Ernesto Laval, do Chile (mora em Temuco, perto do epicentro do último terremoto, mas não foi atingido). O jantar foi num restaurante indiano chamado Chutney Mary, em Chelsea. Para quem se interessa, o site está em http://www.chutneymary.com/. Comida muito boa – mas bem apimentada.

Hoje, apesar de Domingo, tenho reunião na sede da Microsoft (100 Victoria Street) o dia inteiro, e jantar com o pessoal da reunião à noite, não sei ainda onde. A Paloma vai fazer o circuito dos museus e rodar a cidade, na qual ela (agora na terceira vez aqui) se sente perfeitamente a vontade, usando metrô, ônibus (especialmente os de dois andares, de que ela gosta) ou andando a pé com o auxílio dos mapas que sempre temos à mão. O tempo parece que será bom. Sinto não poder estar com ela nesses passeios todos… Ela conhece Londres bem melhor do que eu… 

(Se a gente considerar aquilo que o homem faz em e com os ambientes que habita, e não aquilo que já lhe é proporcionado pela natureza, Londres é uma cidade bem mais bonita do que o Rio de Janeiro… E é bacana ver a tranquilidade com que os londrinos e os ingleses encaram a Olimpíada aqui no ano que vem. Big deal, é o que parecem sentir…)

Em Londres, 09 de Janeiro de 2011.

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Aeroporto de Lisboa (20110108)

Levantamos cedo, por volta de 4h15, eu, 4h45, a Paloma. Terminamos de arrumar as coisas – as malas ficaram estufadíssimas, mas coube tudo. Resolvemos colocar no corpo os casacos grossos, por duas razões: a) eles não cabiam nas malas; b) vai estar muito frio em Londres…

Saímos do hotel um pouco antes das 6h. Nenhum problema com a conta. Tudo certinho, sem precisar discutir ou negociar nada.

No caminho para o aeroporto, enchemos o tanque de gasolina do SEAT Ibiza. No aeroporto, os funcionários da AVIS estavam acabando de chegar quando paramos o carro no Car Rental Return (escrito assim, em Inglês). Havia uns quatro carros na nossa frente. Também aqui não houve nenhum problema com o carro ou com o GPS. Andamos, no total, ao longo desses onze dias, apenas mil quilômetros – e fomos até a Serra da Estrela, viagem que consumiu cerca de 600km. Apesar de termos andado pouco em Lisboa e ao seu redor, e apesar de Lisboa possuir um bom sistema de transporte público (ônibus, metrô, trem suburbano), é difícil fazer turismo aqui sem um carro.

No checkin dedicado à Star Alliance Gold, atendimento impecável. Na lounge da TAP/Star Alliance Gold, idem. Comida boa, acesso à Internet magnífico (pela TMN/ptwifi). O cartão 1k da United quebra um galho enorme…

Agora é esperar o voo para Londres/Heathrow. O voo sai às 9h50. Temos bastante tempo para feicebucar e fuçar em outros sites da Internet. Não li a Folha ainda.

Agora, só de Londres. Espero que tenhamos um bom voo. Até lá.

Eduardo

Em Lisboa, 08 de Janeiro de 2011.

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Décimo Primeiro Dia em Portugal (20110107): Ainda a Paisagem Cultural de Sintra

Como que por milagre, o tempo melhorou hoje, até chegou a sair o sol. Por isso, rumamos de volta a Sintra, para visitar o Parque e Palácio Monserrate e o Convento dos Capuchos – e tirar algumas fotos.

Gostamos muito do Parque de Monserrate – e do que pudemos ver do palácio. Porque o palácio está sendo restaurado, só o primeiro andar está acessível a visitantes. Mas é lindo – e tem uma história muito interessante (que contarei adiante). Mas dentro do palácio é proibido tirar fotos, mesmo sem flash.

O parque, porém, é magnífico. Esbaldei-me de tirar fotos – cada uma mais bonita do que a outra. Estou as colocando no Facebook – todas as 343, em dois álbuns (limite máximo de cada album, 200 fotos), com as repetições de sempre (tiro regularmente mais de uma foto de uma cena, caso uma não saia boa).

O responsável pela construção do primeiro palácio de Monserrate foi Gerard de Visme, comerciante inglês detentor da concessão da importação do pau-brasil. Isso foi feito no século XVIII.

Parte do que estava construído foi destruída pelo terremoto de Lisboa, tendo o palácio sido reconstruído pelo próprio de Visme e, posteriormente, aumentado, já no começo do século XIX, por William Beckford (1760-1844), que o havia adquirido. Beckford foi escritor, romancista, crítico de arte, bibliófilo e construtor. Era pessoa bastante excêntrica, e ficou conhecido como o jovem inglês mais rico do seu tempo

Oportunamente (1856) o palácio foi adquirido por Francis Cook (1817-1901), milionário inglês da área têxtil, dono de uma das maiores coleções britânicas de arte, e que veio a se tornar o primeiro Visconde de Monserrate. Ele foi o responsável pela construção do parque e do magnífico jardim que faz parte dele, tendo reconstruído o palácio para que se tornasse quinta de veraneio da família.

Lord Byron (1788-1824), famoso poeta anglo-escocês, visitou a quinta em 1809, antes, portanto, na época de Beckford, e cantou sua beleza no poema “Childre Harold’s Pilgrimage”. [A propósito, nas fotos tiradas no centro de Sintra, tirei uma de um bar ou restaurante chamado “O Cantinho do Lord Byron”. Vide:

http://www.facebook.com/#!/photo.php?fbid=480506367586&set=a.480503252586.258650.577192586&pid=6402942&id=577192586

Em 1949 o Estado Português adquiriu a quinta e a área adjascente, num total de 143 hectares. Uma empresa estatal, a Parques de Sintra – Monte da Lua S/A, administra hoje todo o espaço da Paisagem Cultural da Sera de Sintra, que em 1995 foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Depois do Parque e Palácio de Monserrate, fomos ao Convento dos Capuchos. Trata-se de restos (algo mais do que ruínas) de um convento do século XVI, construído para os frades capuchinhos (franciscanos). O local é bonito, mas a construção, de uma “pobreza franciscana” (se me permitem a brincadeira), é deprimente. Tirei algumas fotos dentro e fora, mas nem sei se as vou publicar no Facebook. [Nota acrescentada posteriormente: Coloquei as fotos do Convento dos Capuchos, bem como algumas de downtown Sintra, no Facebook].

Paramos no centrinho de Sintra e jantamos ali, num café muito simpático, chamado Village Café. (O melhor restaurante da cidade, A Tulha, que ficava embaixo do café, estava feixado porque o proprietário estava em férias). No café, Bacalhau para os dois: na nata, para a Paloma, ao forno, para mim. Em ambos os casos acompanhado por batatas. A Paloma ainda tomou a onipresente sopa de pedras, que ela adora.

Agora estamos aqui no quarto do hotel, procrastinanto a arrumação das malas para a viagem a Londres amanhã cedo.

Adeus, Lisboa. Adeus Portugal. Até a próxima (espero).

Eduardo

Em Lisboa, 07 de Janeiro de 2011.

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